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Acabou

You never close your eyes anymore when I kiss your lips... Podia-se ouvir o som do Johnny Rivers de fora do carro tal o volume. you've lost that lovin' feeling, whoa, that lovin' feeling... gone, gone, gone woah ... Desde criança João adorava as músicas do Rivers. Lembrava-se de sua infância. As imagens lhe viam a mente a revelia. Em suas lembranças via seu pai cerimoniosamente retirando o vinil da capa, passando uma flanela no disco preto. Isso! vem pro papai . Como num ritual litúrgico depositava com cautela o vinil no antigo Gradiente frente de alumínio - como costumava chamar o aparelho de som; um verdadeiro luxo para época. uma relíquia valiosíssima nos dia de hoje. Quem tem não vende. João guardava, tanto o velho disco quanto a antiga vitrola. Sim, João tinha uma excelente coleção de discos. Segundo ele, música boa foi produzida nos anos 1980. Tá! Também houve grandes sucessos nos anos 90, agora, com a virada do século só produziram lixo. Como pode alguém gostar...

Há meros devaneios tolos a me torturar

No livro o Mito de Sísifo, Alberto Camus diz que a grande questão da filosofia é "porque eu não me mato?". Se você lembra do mito de Sísifo saberá que ele foi condenado pelos deuses a rolar uma pedra gigante até o topo de uma montanha, e, cada vez que ele chegava ao topo, a pedra rolava para baixo, novamente ele ia buscar e fazia todo o trabalho novamente e isso ad ifinitum . Daí surge a pergunta de Camus: porque não se matar e assim pôr um fim a todo esse trabalho em vão; a toda essa existência sem sentido, visto que não há esperança alguma?. Porque? Em algum livro que li, Nietzsche diz "Invejo aqueles que não tem esperança" . Por que? porque não podem ser torturados com a esperança de dias melhores. A isso, Nietzsche chamará de Amor Fati , isto é, amor ao destino tal como ele é. Sabe, minha mente às vezes é um turbilhão de pensamentos, eu fico muito confuso com a vida, com a existência, com tudo... É como se minha consciência fosse minha enfermidade. Enfermida...

Epiphania na Casa dos Budas ditosos - erotismo e redenção

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"como tinha razão o Nelson Rodrigues: se todo mundo soubesse da vida sexual de todo mundo, ninguém se dava com ninguém" - A Casa dos Budas ditosos, pág 52 Enquanto tu morrias eu te abraçava numa fúria alagada, numa sórdida doçura, minha alma era tua? o desejo era demasiado para a carne, que grande fogo vivo insuportável, que luz-ferida, que torpe dependência uma outra Hillé sussurrava muito fria e altiva, uma outra Hillé fingindo mansidão e langor, roliça, passiva, perla sobre o fastídio de los mármores. Me queres? Claro."                                                             - A obscena Senhora D., pág 54 SONNETO DO COITO NA PENUMBRA [1627] Em pleno "frango assado" está o casal A xota, penetrada, se arreganha. O pau, indo e voltando, dá signal de que ja vae gozar onde se banha... - Poesia Vaginal, pág 67 Eu ...

Sinceridade e abandono - carta de alguém que desistiu e prefere manter o silêncio*

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  Eu me importei demais, talvez você nem imagine o quanto eu fui louca por você. Eu fiquei cega, fui inconsciente e imprudente com as minhas atitudes. Abri mão de muita coisa, estendi os meus dois braços e servi como apoio, quando a sua estrutura estava frágil. Me prejudiquei, mas nunca cheguei atrasada. Sempre estive adiantada, com surpresas, um colo quente, um carinho antes de dormir e, principalmente, com a minha indescritível ânsia em acertar, e te oferecer tudo aquilo que eu julguei que você merecesse ter e sentir. Acho que eu fui demais, para alguém de menos. Atropelei as nossas diferenças, que cedo ou tarde, eu sabia que iriam me dar um tapa na cara.   Dito e feito, eu apanhei e acordei para a vida… Quando os relacionamentos começam, temos o defeito de acreditar que estamos vivendo um conto de fadas. Nos iludimos com cada besteira, que parece ser impossível acontecer. Fazemos planos com alguém que nem conhecemos. Por vezes, esse desespero pode ser justificad...

Morte e suicídio em Bento Espinoza - conceito de caráter naturalista e "homicídio" imaginário

Por Erivan Silva "Não sou mais aquele, não sou outro,  sou a poeira da ampulheta virada para baixo,  depois para cima, uma partícula do meu próprio cosmo que o  tempo sopra para debaixo desse ciclo, nada mais,  porque sei que lá atrás outros em mim existiram  e lá adiante outros se multiplicarão na minha pele  apesar dessa carcaça que se encolhe, se enruga,  se transforma desde o ventre e se flagela com o passar dos anos.  Passa, tempo! Passa logo tuas plumas de pedra no meu rosto  e encerra essa história com os teus pulsares de silêncio,  não peço mais do que isso, porque sabes que minha força  parece derivar justamente do drástico, do derradeiro, do quase abismo." * "Quando abriu o quarto selo, ouvi o quarto animal exclamar: Vem! E eu vi: era um cavalo esverdeado. Quem o montava chama-se "a Morte", e o Hades o acompanhava." (Ap 6.7-8 TEB) A morte é a grande muságete (1) da filosofia. Sua inspiração. Sua i...

Retratos da alma: Novos rumos teológicos e existenciais

Retratos da alma: Novos rumos teológicos e existenciais : Novos rumos teológicos e existenciais O texto que segue foi escrito num período de transição intelectual no final de 2012. Foi um pe...

Não me ofereço a ti

"Você me tem fácil demais e não parece capaz de cuidar do que possui. (...) Não faça assim, não faça nada por mim, não vá pensando que eu sou seu" Não estou em sua mãos, amada. Amor não é possessivo. Nem pode ser.  A vida precisa ser vivida com ou sem você. E será. Eu sei que quando menos esperamos o amor acontece. E nós ficamos assim, desse jeito, sem jeito, qualquer jeito... É um crime viver assim. Abro mão Não me ofereço a ti como teu brinquedo pessoal. Eu não sou. Posso ser um presente sempre ausente em tua vida. E serei. Posso deixá-la morar no meu coração. Habita. Posso levá-la para sempre em meus pensamentos. E levo. Posso dizer que te amo. E amo. Mas não me ofereço a ti Não me ofereço a ninguém. Amor, não te disseram que o amor não é possessivo? Erivan Silva