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Nietzsche: Como deixamos de ser moralistas

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O bem e o mal, há muitos longos anos, séculos e até milênios, dominam o cenário de nossas vidas nas mais diferentes sociedades. A questão é que, de forma dualista (portanto metafísica), a moral nos coloca sempre em postura de contraposição. Por isso, não concebe o bem sem o mal e vice-versa. Mas o bem e o mal não são coisas em si, uma vez que determinadas avaliações morais se fazem presentes como raiz de todo bem e de todo mal. Por exemplo: para quem acredita no valor do perdão, perdoar é um bem, assim como odiar - o oposto ao perdão - é um mal. Nesse sentido, como podemos detectar se alguém é do bem ou do mal? Quando o que faz está mais próximo do bem, no geral, do que do mal.

O finito e o (in)finito

¨Ver um Mundo num Grão de Areia E o céu numa Flor Silvestre, Ter o Infinito na palma da sua mão E a Eternidade numa hora¨ WILLIAM BLAKE O Deus que adoro ainda é desconhecido Como eu poderia me referir a Deus? Como a mente humana concebe o divino? Como a fé se desenvolve? Cada uma dessas perguntas dizem respeito ao finito (quem pergunta), no caso os humanos dotados de consciência; dizem respeito também ao infinito (o objeto da pergunta). São perguntas cujas respostas são transcendente. Respondê-las não é tarefa fácil, nem é meu objetivo nessa reflexão. Apenas provocar.  Nós, herdeiros da cultura judaico-cristã, adoramos um Deus com personalidade judaica: portanto, sem nome nem face; sem representação legítima de seu Ser. Adoramos o Eterno Abstrato. Quem era esse Deus israelita e qual era o seu nome? O fato curioso é que ninguém sabe. Ha diversos nomes para Deus na Bíblia dos hebreus, e talvez originalmente eles se referissem a deuses diferentes. Mas exist...

PENSAMENTO E LIBERDADE EM ESPINOZA - Resumo do discurso do prof Claudio Ulpiano

Dois temas que serão trabalhados: pensar Espinoza na questão liberdade e servidão ; por outro lado Espinoza e as questões da ciência. A questão da liberdade e da servidão é central em Espinoza. Central e surpreendente. Quando Espinoza pensa a questão da liberdade ele não articula com nenhuma das filosofias ocidentais. Ele se opões  todas as outras concepções que temos de liberdade. A liberdade em Espinoza é uma grande surpresa para o historiador da filosofia . Nós os ocidentais entendemos a ideia de liberdade tomada dos gregos, i. é, de Platão, de Aristóteles, e quando passamos para a modernidade nos apegamos a Kant. Espinoza se opõe violentamente contra esse padrão de pensamento. A obra do Espinoza pode ser dividida em duas: de um lado Deus de outro os homens . Quando pensa Deus rompe com a teologia tradicional: este é pensado com transcendente. Para Espinoza deus é imanente. Deus é produtivo não criador. Deus ou natureza é tudo aquilo que produz. a produção de tudo o q...

Édipo, Anti-Édipo e Complexo de Édipo: a esquizofrenia como possibilidade de uma nova existência

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"Pra sempre fui acorrentado no seu calcanhar. Meus vinte anos de boy, that's over baby! Freud explica." - CHÃO DE GIZ Zé Ramalho "O psicótico [esquizofrênico] perdeu o contato coma realidade. Como ele, provavelmente, o neurótico também pensa que dois mais dois são cinco... mas, à diferença do primeiro, isso  o aborrece terrivelmente! É por esse caminho que percebemos que ele ainda se atém à realidade, não fosse por sua angústia. (...) o neurótico é aquele que constrói castelos no ar, o psicótico [esquizofrênico] mora nesses castelos (o que é mais lastimável)... e o psiquiatra embolsa o aluguel!" - LUC FERRY "Como consegue a psicanálise reduzir, desta vez o neurótico, a uma pobre criatura que consome eternamente papai-mamãe, e nada mais?" Gilles Deleuze e Felix Guattari Todos devem conhecer o mito de Édipo. Aquele que alertado sobre seu destino (μοίρα)  de matar o pai (Laio) e desposar a mãe (Jocasta) foge sem saber que ...

Zaratustra e Hal-9000: Uma breve reflexão nietzscheana sobre 2001, uma odisseia no espaço

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Zaratustra e Hal-9000: uma breve reflexão nietzscheana sobre 2001 uma odisseia no espaço Por Erivan Silva* O que os leitores devem saber antes? Espero que os leitores tenham assistido 2001 : uma odisseia no espaço antes da leitura do texto que se segue; espero ainda que os leitores tenham um conhecimento ainda que básico dos principais conceitos nietzscheanos sobretudo: apolíneo e dionisíaco , eterno retorno e Além-do-homem . Não escrevi esse texto tendo em mente um público alvo nem tampouco primei pelo caráter didático ou introdutório. Se parecer didático não foi intencional. Escrevi para cristalizar minhas impressões particulares sobre a influência do pensamento nietzscheano no filme de Kubrick. Pode ser que o leitor não veja relação alguma, mas isso não me importa. Primeiramente acho justo lembrar ao leitor que o texto que se segue trata-se apenas de uma reflexão particular; de um ponto de vista entre tantos outros. Não é minha intenção aqui fazer uma interpretação obj...

Acabou

You never close your eyes anymore when I kiss your lips... Podia-se ouvir o som do Johnny Rivers de fora do carro tal o volume. you've lost that lovin' feeling, whoa, that lovin' feeling... gone, gone, gone woah ... Desde criança João adorava as músicas do Rivers. Lembrava-se de sua infância. As imagens lhe viam a mente a revelia. Em suas lembranças via seu pai cerimoniosamente retirando o vinil da capa, passando uma flanela no disco preto. Isso! vem pro papai . Como num ritual litúrgico depositava com cautela o vinil no antigo Gradiente frente de alumínio - como costumava chamar o aparelho de som; um verdadeiro luxo para época. uma relíquia valiosíssima nos dia de hoje. Quem tem não vende. João guardava, tanto o velho disco quanto a antiga vitrola. Sim, João tinha uma excelente coleção de discos. Segundo ele, música boa foi produzida nos anos 1980. Tá! Também houve grandes sucessos nos anos 90, agora, com a virada do século só produziram lixo. Como pode alguém gostar...

Há meros devaneios tolos a me torturar

No livro o Mito de Sísifo, Alberto Camus diz que a grande questão da filosofia é "porque eu não me mato?". Se você lembra do mito de Sísifo saberá que ele foi condenado pelos deuses a rolar uma pedra gigante até o topo de uma montanha, e, cada vez que ele chegava ao topo, a pedra rolava para baixo, novamente ele ia buscar e fazia todo o trabalho novamente e isso ad ifinitum . Daí surge a pergunta de Camus: porque não se matar e assim pôr um fim a todo esse trabalho em vão; a toda essa existência sem sentido, visto que não há esperança alguma?. Porque? Em algum livro que li, Nietzsche diz "Invejo aqueles que não tem esperança" . Por que? porque não podem ser torturados com a esperança de dias melhores. A isso, Nietzsche chamará de Amor Fati , isto é, amor ao destino tal como ele é. Sabe, minha mente às vezes é um turbilhão de pensamentos, eu fico muito confuso com a vida, com a existência, com tudo... É como se minha consciência fosse minha enfermidade. Enfermida...